Agora que falas nisso: As memórias!

sábado, abril 29, 2017


Mais um mês, mais um desafio, mais uma blogger convidada. Tenho a certeza que já conhecem a Joana e o The paper and Ink e desta vez foi esta a minha eleita para este desafio. Genuína e com um talento enorme para captar momentos e experiências que mais tarde viram memórias. O tema deste mês são as memórias, só poderia ser ela a convidada certo? Ora vejam aqui neste link o que ela escreveu e fiquem com o meu ponto de vista aqui em baixo!
Este tema foi desafiante e tinha tantos caminhos por onde seguir...Resolvi seguir o meu coração e o que ele me dizia e sairam palavras em jeito de homenagem.
Dizem que nós não morremos enquanto formos lembrados. Eu lembro-me das vossas histórias, das músicas que eu pedia que me ensinassem vezes sem conta. Lembro-me do cabelo a ser enrolado com toda a minúncia numa trança longa, negra e fina mas persistente. Lembro-me das tuas gargalhadas e do sorriso que carregavas e que te fazia parecer uma míuda alegre de 20 anos. Como é que a tua paciência era tão eterna e não se deixava abalar por nada?
E de ti? Ah, de ti só conheci o bem. Só conheci aquele que me trauteava canções que falavam de uma casa sem telhado e de uma porta sem fechadura e me faziam rir até doer a barriga. Calmo, de sono pesado e persistente que um dia permitiu que numa das tuas sestas eu experimentasse em ti os meus dotes de cabeleireira. Para mim eras só meu e só me tinhas a mim.
De ti? De ti recordo a força, a esperança, o amor eterno, a resiliência e a vontade de viver. Eu era o teu galito doido que te chateava vezes sem conta, que berrava e brincava na manta estendida nas tardes de verão. Tinhas sempre um sorriso mesmo quando os dias eram cinzentos e o coração apertava.
E por fim, de ti? De ti guardo o lado sério, tão sério que me dava vontade de rir. Guardo os dias quentes em que segui contigo na vespa a atravessar o campo, presa num abraço e no desejo que tinha de nunca ser abandonada por vocês. Hoje ainda guardo perguntas, tantas mas tantas perguntas e guardo sempre essa história de amor.

As fotografias, os cheiros e os lugares ajudam a que vocês não desapareçam mas existem dias em que tenho medo. Fecho os olhos com muita força e fica difícil ouvir a vossa voz ou recordar as vossas feições. 
Agarro-me a todas as memórias e não as deixo morrer para que vocês também estejam sempre vivos!
Obrigada avós!



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3 comentários

  1. oh adorei o texto! ainda tenho a sorte de os meus avos estarem vivos mas compreendo perfeitamente aquilo que ela escreveu <3
    beijinhos

    http://umacolherdearroz.blogspot.pt/

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  2. É tudo, exatamente como ela escreveu! Gostei muito e identifico-me.
    Felizmente, são belas memórias :)

    Automatic Destiny

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  3. Acho que me vieram umas lágrimas aos olhos mas acima de tudo um sorriso enorme. Acho que há características das avós tão transversais àquelas que são realmente boas, que cuidam, que amam e nos marcam para sempre.

    Adorei ler o modo como pegaste no tema e acima de tudo obrigada por este convite, Daniela!

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