O mundo do avesso,

quinta-feira, novembro 19, 2015

Imagem de france, pray for paris, and cityO mundo anda do avesso e povoado de medo. Há alturas em que a maioria dos problemas se tornam pequeninos perante o tamanho de monstruosidades como as que aconteceram na passada sexta-feira. Também há dos nossos por lá, gente com sangue português a correr nas veias, perdoem-me, gente com mal a correr nas veias! O último vídeo em que dois deles aparecem dizem que "podemos fugir, mas não nos podemos esconder", e no fundo é isso, são corações apertados, porque ninguém se pode defender de um mal que não sabe de onde vem.
No meio de toda esta realidade carregada de sofrimento, existem ainda sempre os disparates que nos distraem da dura realidade e nos põe a discutir sobre inutilidades.
 As pessoas que criticam as bandeiras do facebook esperam o quê? Esperam que quem as pôs se levante, pegue no carro, conduza até à Síria e desate à batatada a tudo o que é Estado Islâmico? O coração aperta quando vemos imagens do que aconteceu, e sim, aperta ainda mais quando é em França porque está perto de nós, porque é um lugar onde não é suposto isto acontecer. Se as vidas da Síria, de Beirute ou de outros lados valem menos?Nunca! Mas se nos toca mais Paris? Claro, é ali ao lado, está carregado de gente que partiu de Portugal para uma nova vida, está carregado de amigos e família. Por isso, devemos ser activos, ter uma opinião e lutar por um mundo melhor, mas não está tudo nas nossas mãos, e assim, quando mais não se pode fazer, há uma palavra de conforto ou um gesto de solidariedade que prova que todos estamos juntos, que todos nos apoiamos, e isso é amor, e não há forma de o derrotar.
No meio de tanto vídeo banhado de sangue, existem ainda cartas que se escrevem sem rancor, existem vidas que resistiram e existem conversas entre pais e filhos, carregadas de esperança.
Vamos vivendo com os olhos e o coração postos no mundo, e se for preciso rezemos, demos as mãos, imaginemos tudo de bom que tenhamos para imaginar, porque o mal está nos homens e nas armas e não nas palavras e na religião.


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6 comentários

  1. O mundo, infelizmente anda mesmo do avesso...mas infelizmente não é de agora. E, nós Europeus, temos alimentado isso, só que agora calhou-nos parte dessa "sede" pelo poderio..infelizmente somos nós, os inocentes, que padecem!


    xoxo, Sofia Pinto
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  2. penso exatamente o mesmo e confesso que tenho medo , vou a Portugal no natal para passar com os meus pais e o meu namorado vai ter com os dele(vida de imigrante) e fico sempre com o coração apertado (ele por ter de ir a Londres onde os pais vivem de momento e eu por andar de avião ) porque tal como disseste é algo que pode acontecer a qualquer momento.

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    1. Pois, eles querem espalhar o medo e enfraquecer-nos com isso.:/

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  3. Enquanto as pessoas não entenderem que violência só gera violência, a situação só vai piorar. As mentalidades estão de tal maneira enraizadas para a maldade que não consigo ver um fim a este horror. Estamos num jogo de toca-e-foge, mas com vidas humanas a prémio.

    Não coloquei a "bandeira do fb" porque acho absurdo. Não é por ter a minha foto às cores que vou estar mais ou menos sentido com o que aconteceu. Prefiro redigir um texto sobre o assunto expressando a minha opinião do que aderir "à moda". Ainda para mais quando no dia anterior tinha acontecido aquele massacre em Beirute. No teu caso, referes que "Paris está aqui ao lado", mas o facebook é uma plataforma norte-americana, não tem desculpa para a "indiferença".

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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    1. Eu também não pus a bandeira por não me identificar propriamente, e acredito que tal como tu te preferes expressar por palavras, há pessoas que entendem a bandeira como uma expressão do que lhes vai na alma e no coração apertado. Mas também concordo que a maioria talvez seja uma "solidariedade da moda".
      Eu fico igualmente chocada com as imagens que nos chegam de mais longe, ainda a semana passada vi um senhor que gritava entre os destroços e corpos sem vida, e perguntava "onde está a humanidade?", só digo é que Paris nos atinge mais por estar cheio de portugueses, gente que conhecemos, e acho que é impossível não nos sentirmos mais "identificados", mas não quer dizer por isso que não repudiemos todos as mortes e a violência na Síria e em todos os outros países...

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