Às crianças dos joelhos esmurrados,

sábado, junho 13, 2015

Começo por dizer que não sou mãe,e por isso este texto poderá não conter em si muita da experiência maternal, mas nem por isso me pode ser retirado o direito de opinar sobre este tema. As crianças serão o nosso futuro e o nosso presente, porque serão as crianças de hoje em dia que irão ensinar os meus filhos na escola, que me irão tratar quando eu estiver doente e que irão governar o nosso país.
A minha experiência na escola primária foi sempre boa. É certo que eu já era distraída e chorava desalmadamente por causa das contas de dividir, mas tinha um espaço feliz, o mundo só nosso onde eu podia ser fada num minuto e no segundo estar a esmurrar os joelhos. Éramos nós, a nossa aldeia e depois das 3 horas era o Batatoon, a bicicleta, as asneiras, a terra, o campo... E assim fui feliz, com uma avó super presente e com os pais a lerem histórias e a ensinar matemática. Hoje em dia não há espaço para as pequenas escolas (que recentemente foram renovadas para depois serem fechadas) e desde pequenos que se vêem no mundo dos grandes.
As coisas mudam e o mundo é feito de mudanças, e por isso hoje a partir do 4º ano (ou menos, perdoem-me se estou desactualizada) já é necessário apresentar trabalhos em power point e os pais pedem para que as crianças tenham apenas 1 mês de férias.
Eu não sou mãe, mas parece-me que hoje em dia os pais andam um pouco alheios à função de ser pais, escondidos no trabalho e na desculpa (muitas vezes) de que o fazem para dar uma vida melhor aos filhos. A que custo? Obviamente que não estou a criticar as mães solteiras que têm que ter 3 trabalhos nem as famílias carenciadas, até porque muitas vezes estas são as que dão mais amor e que aproveitam melhor o tempo, por muito curto que ele seja.
Na Finlândia, o país campeão da educação, pretende-se modernizar a escola, incluindo a opinião dos alunos, procurando que cada um trabalhe o seu raciocínio e a sua forma de pensar e afastando-se das metas restritas em que o que importa é dar o programa!
Primeiro temos que começar pelos professores (que respeito muito) e pela sua formação que por vezes é um pouco vergonhosa, quando pessoas que mal sabem falar e escrever e que passam à custa de copianços e de professores desinteressados que só estão ali para ganhar o seu e para cumprir programa. 
the end of schoolDepois disto penso que podemos então pensar em alterar a forma como as matérias são leccionadas e incluir áreas criativas, já que estas estimulam o cérebro e são também tão importantes para o desenvolvimento pessoal.
Por fim pais, tentem prestar um pouco mais de atenção aos filhos e estabeleçam prioridades, sendo que a maior delas todas deverá ser criar um ser humano feliz, capaz, desenvolvido e de bem com a vida. Se assim for têm as armas que necessitam para conquistar o mundo. 
Vivam os avós e as brincadeiras, os sapatos com areia e os joelhos esmurrados, a farinha com água colada nas paredes e a casa pintada com sonhos.


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