Quero voltar, para os braços da minha mãe

sexta-feira, maio 08, 2015

Esta semana pela primeira vez senti-me num país que não é o meu, senti-me uma estranha e até um pouco descriminada. Isto tudo porque a semana não começou da melhor maneira, e apesar de segunda-feira ter sido uma data muito importante para mim, parece que os deuses-do-mal se juntaram para conspirar contra mim e o pior aconteceu logo na primeira viagem de metro. Íamos nós descansadinhas da vida quando nos aparece um revisor como já aconteceu imensas vezes. Tirámos o nosso passe, o cartão de estudante e até o cartão de cidadão e ele quando os viu ao longe parece que olhou logo com uma cara de quem já ganhou o dia. Aproximou-se e com um ar arrogante começou logo a perguntar em que escola estudámos, ao que nós respondemos prontamente, mas o senhor não entendeu ou fez que não entendeu e com tanta insistência eu resolvi tirar um papel que nos tinha sido dado pela universidade como prova de que somos estudantes. Então aí é que o senhor se deliciou porque o papel tinha passado de validade no sábado anterior. 
Aqui admito que errámos porque na universidade foi-nos dito que precisávamos de mostrar o papel para comprar o passe, e nós assim o fizemos na primeira vez e até andávamos com ele, mas sempre que um revisor nos encontrava ou quando voltámos a comprar o passe, nunca nos foi solicitado tal papel, por isso, e como a secretaria da universidade só está aberta 3 horas por dia e nós temos estágio, não nos preocupámos em renová-lo uma última vez, porque faltam poucos dias e já tínhamos comprado o último passe.
No entanto, nada demoveu o senhor, que nos mandou sair numa paragem e que insistiu em pagar a multa, mostrando-se arrogante e insistindo que o nosso cartão de estudante não era válido aqui na Hungria. Entretanto até começou a falar em chamar a polícia, e nós, apanhadas de surpresa e com os papéis caducados acabámos por pagar a dita multa de quase 30 euros na altura.
Foi um choque e passámos a manhã indignadas, até que contámos a situação na clínica e nos disseram que ele tinha escrito no papel da multa que nem tínhamos apresentado o cartão de estudante. Com algumas preciosas ajudas lá conseguimos resolver o problema, mas depois de dois dias a caminhar para o gabinete dos transportes, sendo que demorámos muito tempo até o conseguir encontrar porque fica lá para trás do sol posto e para ajudar quando pedimos indicações às pessoas elas mandam-nos para sítios opostos ou nem se esforçam para tentar perceber o que estamos a perguntar. 
...Bem, a verdade é que depois lá conseguimos que nos devolvessem parte da multa (o que está muito errado, porque se tínhamos razão, visto que o nosso cartão de estudante é verdadeiro e somos estudantes da união europeia), mas travar essa luta daria ainda mais trabalho e perderíamos mais dinheiro provavelmente.
O mais triste é que nesse mesmo dia, num grupo de erasmus no facebook, vários estudantes se queixavam do mesmo e se sentiam roubados e maltratados porque ainda por cima eles fazem ameaças e não nos explicam os nossos direitos. E esta foi sem dúvida a situação que me fez sentir mais deslocada, fora do meu ninho e do meu país.
Mais uma história que ficou mas desta vez não deu para rir tanto quanto isso...

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7 comentários

  1. Oh querida, envio um abraço ainda que virtual, bem apertado.

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  2. São estas situações que nos fazem perceber que Portugal não é tão mau como o pintamos. Mesmo não sendo uma situação do foro pessoal, acredito que te tivesse deixado bastante incomodada! Ás vezes perdemos estas pequenas batalhas mas ganhamos outras maiores!Força :)

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    1. Sim, é triste quando se aproveitam do facto de não estarmos num país onde se fala a nossa língua, acredito que é algo que aconteça em todos os países, porque em todo o lado há gente sem compaixão nem bom senso... mas há que aprender com estas situações.:)

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  3. Não deve ser nada fácil estar num país diferente e passar por estas situações. Mas tenho a certeza que ficarás com muito mais boas memórias do que más. Beijinho :)

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  4. É muito complicado viver num país estrangeiro e uma das razões é exactamente esta, voluntaria ou involuntariamente há pessoas que têm tendência a tratar pior os estrangeiros e quando não estamos no nosso ambiente nem na nossa lingua é muito mais dificil defender-nos e lutarmos pela nossa justiça. Eu vivo quase há 6 anos em Espanha e apesar de ser o nosso país vizinho também já me aconteceram situações muito chatas e xenófobas.
    A única coisa dos dias maus é que a seguir um dia muito bom virá :)
    Assim e que muita força e um beijinho!


    http://pretty-little-stories.blogspot.com

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  5. Fiquei irritada agora, espero que já estejas melhor :) e mais animada!

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