Que todo o preconceito vire chuva!

terça-feira, dezembro 16, 2014

Bem, a verdade é que nestes textos encontrei coisas que hoje achamos engraçadas, mas também percebi que esta doença trouxe desde sempre grandes preconceitos, para todos os doentes e especialmente para as mulheres. Hoje em dia já se sabe que a epilepsia não tem nada de sagrado nem de místico, as pessoas já se podem casar, fazer crianças durante a lua cheia e não chamar o útero para a conversa, no entanto, muitas pessoas ainda fazem desta doença um certo tabu, especialmente em meios mais pequenos, e algumas das ideias mais antigas ainda prevalecem na cabeça de muitos. E era isto que eu gostava que mudasse, porque hoje em dia já não pudemos desculpar este preconceito com a ignorância, e apesar de nós mulheres sermos realmente um bicho de sete cabeças e bastante complexas, todas temos as nossas diferenças, mas todas temos o nosso valor.
be the one that finds the gold.Que nós somos uma montanha russa de emoções, um bicho manhoso e com mau acordar, eu já sabia, mas a verdade é que antigamente havia que concordasse demasiado com esta definição e até agrava-se um bocado o cenário. Na semana passada, enquanto estava à espera que descesse sobre mim uma enorme vontade de estudar, abri um livro sobre epilepsia e o capítulo da epilepsia ao longo dos séculos chamou-me a atenção. Comecei a desfolhar e deparei-me com algumas frases que me deixaram perplexa. É sabido que desde cedo a epilepsia foi confundida com possessões de demónios e foi assim mal definida, mas gente, eles eram malucos e tinham ideias que não lembravam a ninguém. Primeiro tinham superstições com a lua, pois achavam que as crianças concebidas durante a lua cheia iam nascer com epilepsia. Até aqui tudo bem, uma pessoa até desculpa um bocado a ignorância. E no meio de tanta ideia estapafúrdia, o Hipócrates até vem dizer que esta doença não tinha nada de sagrado e a sua origem estava no cérebro. Óbvio que ninguém lhe ligou nenhuma porque é bem mais giro acreditar que são demónios.

Textos frasesA vida de qualquer epiléptico não era facilitada, mas como sempre, nas mulheres o caso piorava. Então no século II d.C., o Areteu da Capadócia veio dizer que então que afinal a culpa era do útero da mulher, que jazia "no meio dos flancos da mulher" e que era "muito parecido com animal". Ele já dizia isto e nunca tinha tido o prazer de ter "aquelas alturas do mês", se não aí é que dizia mesmo que o útero era um animal, bastante irrequieto e maldoso. Ainda assim, ele já dizia que o útero saltava, saia do sítio e ia comprimir todos os outro órgãos e provocar as convulsões e perdas de consciência, por isso eram necessárias "as mãos de uma mulher forte ou um homem experiente" para colocar o útero no sítio e resolver assim a epilepsia.
Enfim, esta gente era cheia de imaginação, e já não bastava darem definições malucas, ainda tinham que criar poções para a cura ainda mais malucas. Estas poções incluíam ingredientes tão simples e deliciosos como pedras de intestino de mocho, corno de veado, cabelo de defunto, pó de crânio humano, fígado de lobo, fel de javali misturado com urina...e pronto, acho que isto já chega para perceberem.

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